Implementação do Primeiro Megahub de distribuição de minério na Ásia – Malásia

Resumo Executivo

A VALE, uma empresa líder no setor de mineração e metais enfrentava desafios significativos relacionados a gestão de seus megaprojetos. A necessidade de novas formas de atendimento a clientes, customização de produtos e novas fronteiras geográficas para a exportação dos produtos brasileiros se constituíam em um grande desafio, e levaria a uma consequente necessidade de altos investimentos em novos ativos e projetos de capital, para sustentar essa abertura e incremento de mercado e produtos.

Um dos megaprojetos implementados nessa fase, e que foi totalmente realizado sob a liderança de um dos sócios da ATONA, foi o Megahub de Distribuição de Minério de ferro, localizado na cidade de Lumut, na Malásia – Um projeto inovador e pioneiro. O projeto, consistia na construção de um centro de distribuição de minérios com capacidade de 60 Mty (throughput, ou seja, entre cargas e descargas), e um porto para navios de grande calado, habilitado para os meganavios VALEMAX, com capacidade nominal de 400 kt. 

Nesse contexto, e considerando uma necessidade de customização dos produtos para cada um dos principais clientes nos países da região (China, Japão, Coréia, Filipinas, Indonésia, etc.) também levou a uma opção de inovação tecnológica, com a implementação dos primeiros pátios de blindagem (mistura) de minérios totalmente automatizados, algo extremamente desafiador à época.
Abaixo algumas características técnicas do projeto:

  • Pátios de Minérios:
  • Capacidade nominal: 60 Mty throughput (30 Mty input e 30 Mty output) 
  • 11 máquinas de movimentação de pátio (entre stackers – ou eimpilhadeiras, e reclaimers – ou recuperadoras) 
  • Tecnologia de automação de ponta para movimentação e blindagem de produtos
  • Produto premium para o mercado internacional – desafios tecnológicos, logísticos, comerciais, laborais etc.
  • Porto
    • Pier com três berços
    • 2 para navios até 400 kt (VALEMAX)
    •  1 para balsas e pequenos navios (Panamaxes)
  • CAPEX: USD 2.1 Bilhões
  • Efetivo no Pico: 5.000 pessoas
  • Prazo total de implantação: 30 meses

1. O Desafio: A implementação de uma solução de negócios disruptiva em ambiente de transformação e alta concorrência

Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, a VALE lidava com um desafio pois, no período do chamado “superciclo das commodities” (2004/2015) a forma de competir em um mercado cada vez mais demandante e competitivo e crescer de forma sustentável seria a partir do crescimento orgânico, associado às aquisições estratégicas. A VALE já se notabilizava por uma quantidade relevante de ativos minerais que ainda eram inexplorados, e a oportunidade do “time to market” era única. Portanto, o “superciclo” demandou naturalmente a implementação de uma série de megaprojetos de capital, algo ainda muito raro na mineração brasileira e que necessitava urgentemente de uma atualização em suas metodologias, métricas, conhecimento e práticas. 

No caso específico Projeto do Centro de Distribuição de Lumut, na Malásia, estes desafios eram potencializados por uma solução inovadora sob vários aspectos: logística, cultura, legislação, mão de obra, acesso aos mercados, disponibilidade de parceiros estratégicos, relacionamento institucional e com comunidades, Os principais desafios identificados foram:

  • Localização: Na entrada do estreito de Malaca, a maior rota de tráfego de navios de alta capacidade de carga do mundo (cerca de 40% do tráfego transoceânico global), e grandes incentivos de ordem fiscal e ambiental; Era também uma localização estratégica pela localização para transbordo, incentivos para industrialização, tributação (a Malásia ofereceu, dentre inúmeras alternativas, as melhores condições tributárias e comerciais)
  • Cultura: Como país multicultura (com influências islâmicas, indianas, e chinesas), tratava-se de grande desafio do ponto de vista institucional o estabelecimento e aceitação da empresa e do projeto perante as comunidades mais conservadoras do interior do país, que influenciavam bastante as decisões do ambiente.
  • Mão de Obra qualificada e Parceiros Estratégicos: Um grande desafio, já que a região não tinha tradição à época de projetos dessa natureza, e muitas forças políticas atuando, muitas influências conflitantes e a necessidade e um grande cuidado no campo institucional, político, econômico e religioso / cultural; os processos de atração de talentos, inserção profissional, treinamento e capacitação, assim como a adaptação ao ambiente industrial foram um grande desafio, considerando todos os desafios colocados. A falta de parceiros qualificados nestas atividades, e o ineditismo tecnológico do projeto também foram grandes desafios.

Resistência à Mudança: A implementação de novos métodos e processos enfrentava barreiras culturais, com equipes apegadas a processos antigos e sem aderência aos objetivos da companhia.

Foram abordados os desafios da VALE com uma metodologia faseada, projetada para entregar valor tangível e promover uma transformação sustentável. 

 

Naquele momento a gestão do projeto obedeceu a alguns princípios e técnicas, que foram fundamentais para o estrondoso sucesso do projeto:

Diagnósticos Detalhados, planejamento integrado, aplicação de metodologias de última geração:

  • Mapeamos os stakeholders-chave e realizamos um diagnóstico profundo para entender as necessidades do negócio.
  • Contratos e parcerias com parceiros de elevado nível e reconhecimento internacional – buscamos os melhores e compartilhamos o espaço;
  • Buscamos “benchmarks” internacionais de mercado do ponto de vista de estrutura, estratégia, processos internos e documentação, além das ferramentas de trabalho aplicáveis
  • Escolhemos os modelos a adotar e preparamos todo o ambiente para tal
  • Desenvolvemos fortes e positivas relações com todos os stakeholders 
  • Forte cultura e processos de planejamento, controle, tecnologia de última geração (gerencial);
  • Implementação de um modelo inédito de governança (IPD – Integrated Project Delivery)

Cultura Colaborativa e gestão forte dos processos de trabalho:

  • Identificamos os processos e trabalhamos fortemente no estabelecimento de padrões de trabalho compreensíveis e realizáveis por todos os elos da cadeia – importante ressaltar as diferenças culturais, de legislação dos países (foram mais de 25 nacionalidades no canteiro de obras, e fornecedores de mais de 17 países envolvidos – era necessário adaptar e adequar todos os processos de trabalho a este mix de culturas)
  • Estabelecimento de padrões do projeto (normas, idioma etc.), mas sempre buscando respeitar a forma de entender e “ler o mundo” de cada grupo de indivíduos, organizações e governos envolvidos;
  •  
  • Forte cultura colaborativa, refletida na estrutura organizacional, modelo e gestão dos contratos e dos relacionamentos, quantificamos o impacto da ineficiência para criar empatia e priorizar as ações.
  • Realização constante de eventos, workshops, fóruns de discussão com as partes interessadas e definimos os processos da forma mais eficiente possível e atendendo às demandas e cultura das empresas, comunidades e governos envolvidos, e já buscando o relacionamento com os futuros clientes, na busca da captura das melhores formas de completação do projeto;
  • Processo de completação, prontidão e comissionamento colaborativo.

Avaliações constantes (Reuniões de acompanhamento, Dashboards, KPI’s claros)

  • Forte modelo e disciplina na gestão.
  • Desenvolvemos os objetivos de curto, médio e longo prazo e compartilhamos através de um robusto modelo de comunicação (interna e externa);
  • Redesenhamos todos os processos.

Planos de Ação, Reportes Gerenciais, Estruturação do modelo e Melhoria Contínua:

  • Implementamos dashboards de KPIs para monitorar o desempenho dos novos processos.
  • Processos constantes de avaliação, revisão e planos de ação na busca dos objetivos traçados
  • Uso intensivo de tecnologia aliada a métodos simples e compartilhados;
  • Transparência nas ações com todos os stakeholders
  • Estabelecidos padrões de reporte e procedimentos buscando a adoção de métodos, templates e padrões únicos e comparáveis, de forma que pudessem ser medidos e comparados (internamente e benchmark internacional) quanto a sua eficiência e eficácia.
  • Estabeleceu-se visões comparativas com os objetivos e estratégias estabelecidas 
  • Retroalimentação do sistema e do modelo.

2. Resultados: Referência Internacional em Gestão de Projetos

A implementação do Projeto do Centro de Distribuição de Minérios em Lumut, na Malásia, de propriedade da VALE é até hoje considerado um dos melhores cases de sucesso em implementação de megaprojetos de capital no mercado da mineração e metalurgia, e gerou resultados expressivos e mensuráveis para a empresa, validando o poder da inteligência de processos, que na época não era um tópico premente nos modelos de gestão e governança, tornando-se assim um processo totalmente inovador. 

Alguns números e resultados expressivos:

  • CAPEX – Saving/economia de mais de USD 100 Bi (aprox. 5%)
  • Prazo: Construção antecipada em aproximadamente 3 meses, comparada ao prazo original
  • SSMA: Índices de LWC e RWC referências globais do mercado
  • Não houve nenhum pleito de contratadas, tampouco nenhum contencioso relacionado ao projeto
  • Desenvolvimento de uma extraordinária reputação regional.

Muitos dos bons resultados foram obtidos por conta de implementação de metodologias disruptivas, e de lideranças motivadoras e inspiradoras.

 

3. Além dos indicadores, a transformação cultural foi visível na organização:

  •  Equipes mais capacitadas, que se tornaram referências de mercado: As equipes foram capacitadas, e as pessoas se tornaram referências do mercado, fazendo que o modelo fosse replicado para muitas outras organizações. 
  • Cultura Orientada a Resultados: decisões estratégicas (go – no go) foram extremamente facilitadas com a adoção de uma governança e o uso de métricas e métodos internacionais comparáveis aos concorrentes.
  • Visibilidade e Controle: A partir da implementação dos modelos de gestão e governança de projetos e seus controles / processos / rituais, toda a alta liderança, o conselho e os acionistas, assim como toda a sociedade passou a ter visibilidade e rastreabilidade, permitindo melhor qualidade na tomada de decisões estratégicas; o mesmo conceito se aplica ao processo de tomadas de decisão tático-operacionais.]
  • Colaboração, evitando pleitos e contenciosos: A partir da cultura e de processos colaborativos, todos os potenciais pontos de conflito foram antecipados e mitigados, redundando em um projeto sem nenhuma incidência de pleitos contratuais, tampouco de contenciosos judiciais.

4. Conclusão

A adoção de um modelo inovador, mecanismos de gestão e controle e a coragem de buscar novas soluções em um ambiente conservador, tradicional e retraído, diante do desafio de bilhões de dólares que se avizinhava foi uma ação pioneira e bem sucedida, tanto que a VALE foi reconhecida por diversas premiações e referências internacionais (especialmente entre os anos de 2009 e 2014); Foram formadas gerações de gestores de projetos a partir destes conceitos e processos, e uma cultura voltada à eficácia, dados fidedignos e confiabilidade.

Uma transformação cultural genuína, liderada com coragem, conhecimento agregado e inteligência em processos em um tempo em que se buscava pouca governança e mais “repetição”.

Somos provedores de soluções inovadoras de gestão do conhecimento e inteligência de processos. Nosso propósito é ajudar empresas a alcançar o máximo de inteligência em suas operações e negócios, transformando dados em insights acionáveis e planos de ação eficazes. Com uma combinação única de experiência executiva global e expertise em Inteligência Artificial, entregamos resultados concretos e valor tangível em ciclos rápidos.

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